segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sobre palavras e acordes

O mundo seria um lugar melhor com mais poetas e menos guitarristas. 

Uma guitarra nas mãos de alguém que tem algo a dizer é uma arma, uma porta, uma janela. Nas mãos de um guitarrista são notas, escalas, modos. Se é pedir muito que todos os guitarristas sejam poetas, que existam mais dos primeiros, então.

Por um mundo com mais Kurts, Neils, Lous e porque não Jimis, e menos Malmsteens. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O mundo é um moinho

A melhor música brasileira já feita, na humilde opinião daquele que vos escreve. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Era uma vez, uma música

Um dia ouvi uma música. Não era só uma música, era 'A' Música. Parecia a melhor coisa já feita pelo Homem. Tudo era perfeito, melodia, arranjo, o vocal rasgado, tudo. Foram pouco mais de quatro minutos de êxtase e então... acabou. 

E foi isso. 

Olhei meu radinho azul, que convenientemente cabia no menor bolso das jeans e não acreditei que não tinham dito quem era o gênio que tinha composto aquilo. Foi meio chiado, com muito barulho externo e com fones de ouvido bem vagabundos, mas ficou em mim. Não consegui entender a letra direito - só tinha dez anos na época - e só lembrava da melodia do refrão. E era isso. Tudo que eu tinha era a melodia do refrão, numa época sem nenhuma ferramenta de busca que me ajudasse a identificar a dita cuja. 

Bem desse jeito.

E assim foi por 8 anos, e a cada ano que passava, o mito da música crescia mais em mim. A cada vez que me lembrava, ela me parecia melhor e melhor. 

Até que um dia a achei. 

E...bem, era uma música. Ouvi várias e várias vezes tentando lembrar o que senti quando a ouvi pela primeira vez. 

Não consegui. A música era mais que só uma música. Era uma época. Era eu com meus dez anos de idade voltando às sete da noite de ônibus, sozinho, pra casa depois de passar o dia no cursinho. Era minha quarta série, com aquela garotinha linda pela qual tinha aquela paixonite escondida, era o fato de ter certeza que mudaria de colégio ao fim do ano, era... tudo. E nem era tão boa assim. 

Mas se passaram sete anos. Eu não era o mesmo de quando a escutei pela primeira vez e ela, obviamente, não seria a mesma pra mim. Naquele momento, a mágica acabou. Parece, e é, algo bobo, mas faz a gente pensar. 

A música era a mesma, eu não. 

Temos essa pretensão de endeusar o que passou e o tempo sabe fazer bem seu trabalho. À medida que ele passa, enxergamos menos e menos as coisas como realmente são e as transformamos naquilo que sentíamos com relação a elas, de modo que quando somos forçados a confrontá-las, no confrontamos inevitavelmente com o óbvio: nós mesmos. Talvez por isso criemos essa imagem idealizada do passado, sem querer voltar atrás, com medo de perdermos a segurança de que aquilo foi realmente bom, fantástico ou surpreendente. 

Mas foi. 

O ponto é que a música sempre foi apenas...uma música. Não era perfeita e com certeza existem outras melhores, mas aquele momento, em que ela foi capaz de me encantar, nem que por um momento, existiu, e sou grato a ela por ter me feito feliz (e levemente paranóico, por que não?) por algum tempo. Mas o momento passou, e ter a compreensão de que aquilo tudo foi, no fim das contas, um momento, significa que que não vale a pena voltar atrás. O segredo é aceitar que nunca mais vou conseguir reproduzir aquela sensação, não importa o que eu faça e tenho que aceitar isso, mesmo que me lembre com carinho do que senti. 

Não adianta mudar de cidade de novo, comprar o mesmo radinho e ouvir a música de novo. Eu mudei, a paixonite sumiu, o cursinho acabou, a cidade mudou. 

Mas a música continua a mesma. 

Ou não?


Ah, a propósito, era essa aqui.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um passo de cada vez

Engraçado como as coisas são. 

Quando criei esse blog pensei em escrever sobre música, que é o que eu mais gosto e o que mais me faz pensar, mas no final das contas vi o quão bobo isso é. Música é um assunto subjetivo demais pra que eu me limite a dar sugestões.
Como isso aqui é um blog e, como tal, fica sujeito às variações de humor do seu dono, acho que seria mais honesto, comigo mesmo, inclusive, usá-lo como algo a mais. 

Enfim.

Hoje, em meio a algumas músicas e cervejas, um amigo me diz que o grande segredo de descobrir o que nos torna únicos é aceitar aquilo que somos, apesar das expectativas dos outros. Viagens filosóficas à parte, pode parecer bobo, mas de fato é algo a se pensar. Sempre esperam algo de nós, e isso, de fato, nos molda aos poucos. 

Bom, não sei os outros, mas tenho uma tendência a tentar corresponder às expectativas que os outros colocam sobre mim. Talvez até crie expectativas surreais, só pra me ver fracassar e me descobrir mais falho, não mais humano. De novo, meio bobo e fácil de rebater com chavões do tipo "pare de se preocupar com isso e simplesmente 'seja o que você é'", mas será mesmo? Ou será que quem diz algo do tipo simplesmente não enxergou ainda as expectativas às quais está submetido? 

Longe de mim que isso funcione como uma desculpa para a mediocridade. Não vou deixar de tentar ser o melhor que posso com as pessoas que amo, fazendo o que gosto ou mesmo o que não gosto, mas que devo fazer, só devo aceitar minhas limitações. Aprender que não posso fazer tudo, cumprir todas as expectativas e, que acima de tudo, sou humano. 

Bom, eu sou eu, acima de tudo. Um guitarrista mediano, o melhor amigo que posso ser, o melhor filho que eu tento ser e um escritor bem medíocre. Mas de fato, apesar de medíocre, talvez seja um dos textos mais honestos que já escrevi e quer saber? Me fez bem. Quem sabe um dia não consigo, apesar das minhas limitações, alcançar minhas próprias expectativas, por mais humildes que elas sejam? Sei lá, ter as pessoas que gosto por perto, tocar meu violão tranquilamente, ouvir uma boa música, ser honesto comigo mesmo. 

Quem sabe.

Um passo de cada vez.

Ouvindo - Decemberists - Don't Carry it All


domingo, 18 de dezembro de 2011

O Bom, o Mau e o Surpreendente




Então, tranquilo, gente?

Fim de ano, chovem listas de tudo quanto é tipo pra todos os lados e de todos os tipos e o esperto aqui decide inaugurar o blog com um post de... listas. Que original. Então, pra tentar não ser muito chato e pegar um pouco de tudo, vou fazer três top 5 - melhores, maiores surpresas e as grandes decepções do ano. Simbora?

O Bom
Qual é o meu cd? É aquele escrito "Badass Modafocka" em cima.

2011 foi um ano fantástico no que diz respeito a lançamentos musicais. Até os saudosistas devem ter adorado a retomada do soul e do rock setentista que apresentou grandes novos (-antigos?) artistas e conseguido um motivo pra largar o mimimi de "não fazem mais música como antigamente". Mas isso é outro papo. O ponto é que só fui parar pra descobrir o quão bom o ano tinha sido quando parei e fiz essa lista, nesse glorioso exercício de egocentrismo e auto-indulgência (tá PIMBA o suficiente?). 
Bom, deixa de papo e vamos pra lista.

The Black Keys - El Camino


E... os Black Keys viraram mainstream. Hipsters gonna bitch, mas encarem, esse talvez seja o melhor cd da banda - talvez melhor até que o fantástico Brothers, do ano passado. O ponto é que o duo sobreviveu à transição da formação de duo para uma banda completa sem perder sua essência. A guitarra imunda e cheia de fuzz tá lá e ainda dá pra sentir o cheiro de blues por todos os lados, mas tem mais. A produção impecável do Danger Mouse mais a forte influência de soul, glam (Marc Bolan ficaria encantado com esse cd) e, claro, blues, é destruidora. Um disco imperdível. 

Foo Fighters - Wasting Light


Tem bandas que ganham pela honestidade, não por inovação ou sofisticação. Sabe aquele amigo que pode não saber nada sobre romancistas russos, filósofos pós-modernos ou coisas do tipo, mas que é a companhia perfeita pra tomar um chopp? Pois é.

Não esse tipo de amigo.

Dave Grohl e cia. gravaram aquele que é o trabalho mais honesto da banda - e possivelmente o melhor. Todas as músicas seriam singles em qualquer álbum anterior. Tá tudo ali, refrões grudentos, riffs diretos e empolgantes e o Dave Grohl mostrando porque é o melhor frontman do mundo atualmente. Um disco de rock, feito para quem gosta de rock por quem gosta de rock - e por quem não esqueceu o que é ser fã de rock. Quem precisa do Nirvana?

Tom Waits - Bad as Me 


Falando em sair pra tomar umas biritas, eis o Bukowski da mídia sonora. Contando com uma produção excelente e com arranjos mais elaborados que o de costume, o disco dispara uma porrada atrás da outra do jeito que só o velho Buc... digo, Tom, consegue. Contando com participações especiais de gente fraca como o Flea e o Keith Imortal Richards, o disco tem um clima que só o supracitado Bukowski conseguiria descrever perfeitamente. Com músicas que transitam da sensível Kiss Me à porrada sonora Hell Broke Luce , que poderia tranquilamente ser uma versão sonora de Apocalypse Now (e isso não é nenhum exagero), passando por um blues dos mais safados já feitos - Satisfied - o velho Tom mostra como ainda tem o jeito. E que continue por muito tempo assim.

Danger Mouse & Daniele Luppi 

Danger Mouse, Norah Jones e Jack White num álbum influenciado por Ennio Morricone contando com a orquestra que executou várias das obras do italiano. Tinha como dar errado?

Tá...chegaremos lá.

Com uma produção impecável - grande novidade - e com performances fantásticas dos vocalistas convidados (ênfase nas músicas cantadas pela Norah Jones), é um disco imperdível e que deve ser escutado com calma e com atenção às texturas e às referências às obras de Morricone. 

Steven Wilson - Grace for Drowning


 

Steven Wilson e seus projetos são a prova de que o progressivo não morreu - e que não recebe a devida atenção. Wilson, que ano passado produziu um dos melhores discos de 2010 (We're here Because We're Here, do Anathema), volta aqui com seu projeto solo depois de ter ajudado na remasterização da obra do  King Crimson - e céus, como isso influenciou o coitado. 

E merecia estar aqui só por essa foto

Contando com arranjos surreais e claramente inspirados no prog setentista (dá pra sentir cheiro de Jethro Tull e -duh!- King Crimson de longe), é o tipo de disco que merece ser escutado e escutado até ser bem digerido. Agora, seu Wilson, cadê o novo do Porcupine Tree, hein?!

Menções Honrosas, ou "esses entrariam se fosse Top 10":

- PJ Harvey - Let England Shake - PJ cantando sobre uma visão ao mesmo tempo desoladora e perturbadora de sua terra natal. Um dos seus melhores trabalhos.
- Noel Gallaghers' High Flying Birds - Noel Gallaghers' High Flying Birds - Noel 1x0 Liam.
- TV on the Radio -  Nine Types of Light - Só por ter Will Do já merecia estar aqui, e ainda tem mais Repetition, Caffeinated Consciouness... 

Bom, sobre o lado bonito, maravilhoso e cheiroso de 2011 é isso. A parte sobre as novidades e sobre as decepções vêm por aí.

Abrazzi!