Então, tranquilo, gente?
Fim de ano, chovem listas de tudo quanto é tipo pra todos os lados e de todos os tipos e o esperto aqui decide inaugurar o blog com um post de... listas. Que original. Então, pra tentar não ser muito chato e pegar um pouco de tudo, vou fazer três top 5 - melhores, maiores surpresas e as grandes decepções do ano. Simbora?
O Bom
Qual é o meu cd? É aquele escrito "Badass Modafocka" em cima.
2011 foi um ano fantástico no que diz respeito a lançamentos musicais. Até os saudosistas devem ter adorado a retomada do soul e do rock setentista que apresentou grandes novos (-antigos?) artistas e conseguido um motivo pra largar o mimimi de "não fazem mais música como antigamente". Mas isso é outro papo. O ponto é que só fui parar pra descobrir o quão bom o ano tinha sido quando parei e fiz essa lista, nesse glorioso exercício de egocentrismo e auto-indulgência (tá PIMBA o suficiente?).
Bom, deixa de papo e vamos pra lista.
The Black Keys - El Camino
E... os Black Keys viraram mainstream. Hipsters gonna bitch, mas encarem, esse talvez seja o melhor cd da banda - talvez melhor até que o fantástico Brothers, do ano passado. O ponto é que o duo sobreviveu à transição da formação de duo para uma banda completa sem perder sua essência. A guitarra imunda e cheia de fuzz tá lá e ainda dá pra sentir o cheiro de blues por todos os lados, mas tem mais. A produção impecável do Danger Mouse mais a forte influência de soul, glam (Marc Bolan ficaria encantado com esse cd) e, claro, blues, é destruidora. Um disco imperdível.
Foo Fighters - Wasting Light
Tem bandas que ganham pela honestidade, não por inovação ou sofisticação. Sabe aquele amigo que pode não saber nada sobre romancistas russos, filósofos pós-modernos ou coisas do tipo, mas que é a companhia perfeita pra tomar um chopp? Pois é.
Não esse tipo de amigo.
Dave Grohl e cia. gravaram aquele que é o trabalho mais honesto da banda - e possivelmente o melhor. Todas as músicas seriam singles em qualquer álbum anterior. Tá tudo ali, refrões grudentos, riffs diretos e empolgantes e o Dave Grohl mostrando porque é o melhor frontman do mundo atualmente. Um disco de rock, feito para quem gosta de rock por quem gosta de rock - e por quem não esqueceu o que é ser fã de rock. Quem precisa do Nirvana?
Tom Waits - Bad as Me
Falando em sair pra tomar umas biritas, eis o Bukowski da mídia sonora. Contando com uma produção excelente e com arranjos mais elaborados que o de costume, o disco dispara uma porrada atrás da outra do jeito que só o velho Buc... digo, Tom, consegue. Contando com participações especiais de gente fraca como o Flea e o Keith Imortal Richards, o disco tem um clima que só o supracitado Bukowski conseguiria descrever perfeitamente. Com músicas que transitam da sensível Kiss Me à porrada sonora Hell Broke Luce , que poderia tranquilamente ser uma versão sonora de Apocalypse Now (e isso não é nenhum exagero), passando por um blues dos mais safados já feitos - Satisfied - o velho Tom mostra como ainda tem o jeito. E que continue por muito tempo assim.
Danger Mouse & Daniele Luppi
Danger Mouse, Norah Jones e Jack White num álbum influenciado por Ennio Morricone contando com a orquestra que executou várias das obras do italiano. Tinha como dar errado?
Tá...chegaremos lá.
Com uma produção impecável - grande novidade - e com performances fantásticas dos vocalistas convidados (ênfase nas músicas cantadas pela Norah Jones), é um disco imperdível e que deve ser escutado com calma e com atenção às texturas e às referências às obras de Morricone.
Steven Wilson - Grace for Drowning
Steven Wilson e seus projetos são a prova de que o progressivo não morreu - e que não recebe a devida atenção. Wilson, que ano passado produziu um dos melhores discos de 2010 (We're here Because We're Here, do Anathema), volta aqui com seu projeto solo depois de ter ajudado na remasterização da obra do King Crimson - e céus, como isso influenciou o coitado.
E merecia estar aqui só por essa foto
Contando com arranjos surreais e claramente inspirados no prog setentista (dá pra sentir cheiro de Jethro Tull e -duh!- King Crimson de longe), é o tipo de disco que merece ser escutado e escutado até ser bem digerido. Agora, seu Wilson, cadê o novo do Porcupine Tree, hein?!
Menções Honrosas, ou "esses entrariam se fosse Top 10":
- PJ Harvey - Let England Shake - PJ cantando sobre uma visão ao mesmo tempo desoladora e perturbadora de sua terra natal. Um dos seus melhores trabalhos.
- Noel Gallaghers' High Flying Birds - Noel Gallaghers' High Flying Birds - Noel 1x0 Liam.
- TV on the Radio - Nine Types of Light - Só por ter Will Do já merecia estar aqui, e ainda tem mais Repetition, Caffeinated Consciouness...
Bom, sobre o lado bonito, maravilhoso e cheiroso de 2011 é isso. A parte sobre as novidades e sobre as decepções vêm por aí.
Abrazzi!